
A importância das Redes Sociais para o pequeno Empreendedor
21/11/2023
Sobrevivência não é estratégia: o que o “trilheiro abandonado” ensina sobre o seu negócio
10/01/2026Existe um fenômeno curioso no mercado atual: quanto mais complexo o campo, mais rápido surgem os especialistas. Este fenômeno de aceleração transforma a PSICANÁLISE COMO PRODUTO, assim como acontece com a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) e o MARKETING.
Basta um curso, alguns termos técnicos bem colocados e pronto: nasce uma autoridade. O detalhe é que autoridade simbólica não se imprime em PDF.
A Fantasia do “Agora eu sei” e a venda de segurança no mercado
O mercado odeia o vazio. O não-saber dá trabalho, gera angústia e não performa bem em anúncios.
Então ele faz o que sabe fazer melhor:
- empacota
- acelera
- simplifica
- promete
“Em X meses você estará apto.” Apto a quê, exatamente, ninguém sabe ao certo, mas o importante é estar apto.
Na clínica, isso é especialmente curioso, porque o saber demais costuma ser o primeiro sintoma.
Quando a Psicanálise vira produto: De análise a conteúdo e branding
Freud jamais imaginou a psicanálise como uma técnica de aplicação direta. Lacan foi ainda mais claro: não há manual, não há protocolo, não há garantias.
Mas o mercado olha para isso e pensa: “Excelente. Vamos resolver.”
E resolve assim:
- transforma percurso em cronograma
- transforma análise em conteúdo
- transforma escuta em ferramenta
- transforma desejo em branding pessoal
O resultado? Profissionais prontos demais para algo que exige justamente o contrário da formação em Psicanálise.
O paralelo inevitável: Especialistas em IA, “Dominadores de Prompts” e a falta de profundidade
Hoje temos:
- pessoas que não sabem como um modelo funciona, mas “dominam prompts”
- ferramentas que geram textos, mas não sustentam pensamento
- outputs confundidos com inteligência
- velocidade confundida com profundidade
Na clínica, acontece algo semelhante:
- teoria confundida com escuta
- repertório confundido com experiência
- certificado confundido com autorização
A diferença é que, na clínica, o erro não vira bug — vira sofrimento.
Por que isso vende? A Psicologia do Consumidor e o desejo de identidade profissional pronta
A psicologia do consumidor explica: isso vende porque toca em desejos muito humanos:
- controle
- pertencimento
- reconhecimento
- identidade profissional pronta
Consumimos formações como consumimos métodos, frameworks e tendências: para tampar o buraco do “ainda não sei”.
O problema é que o inconsciente não respeita cronograma. E o desejo não lê landing page.
A Ética que não cabe no funil: O verdadeiro profissional (Analista, Estrategista, IA)
O verdadeiro profissional… Seja analista, estrategista ou alguém que trabalha com IA tem algo em comum:
- desconfia do próprio saber
- testa hipóteses
- sustenta limites
- sabe que não controla o outro
Quem fala com certeza demais geralmente está vendendo: segurança, autoridade, pertencimento ou uma imagem de domínio que não se sustenta na prática.
A Pergunta necessária: O que estamos chamando de formação hoje?
Talvez a pergunta não seja: “Quem pode ser psicanalista?” Mas sim: “O que estamos chamando de formação?”
Porque quando tudo vira produto, até a escuta vira performance. E aí o risco não é errar! Errar faz parte. O risco é não saber que não se sabe.
Para fechar: Certificado não é garantia, nem sustenta a transferência
Certificados não escutam. Slides não sustentam transferência. E nenhum curso elimina o fato mais incômodo da clínica, do marketing e da IA: Não há garantia!
Se isso te incomoda, ótimo. Provavelmente você ainda está no caminho certo!
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