Recentemente, as redes sociais foram tomadas pela história de um rapaz que decidiu escalar uma montanha desafiadora a convite de uma “amiga”. O desfecho? Ele foi deixado para trás, sem equipamento, sem água e sem sinal, enquanto ela seguia o fluxo. Ele sobreviveu por puro instinto e resistência física, mas a lição que fica vai muito além do trekking.
No mundo dos negócios, vemos esse “turismo de aventura” acontecer todos os dias. É o empreendedorismo por impulso, desprovido de estratégia e baseado inteiramente no otimismo tóxico.
1. O erro do “Vou com a cara e a coragem”
O rapaz não tinha preparo técnico, mas tinha “vontade”. No ecossistema de startups, chamamos isso de negligenciar o Product-Market Fit. Segundo o SEBRAE, cerca de 25% das empresas fecham em menos de dois anos, e a falta de planejamento prévio é o principal fator de queda.
Ir para o mercado sem um MVP (Mínimo Produto Viável) validado ou sem entender o terreno é o equivalente a subir o Pico da Bandeira de chinelos: você pode até chegar ao topo, mas o custo será desproporcional.
Essa narrativa é um espelho do que muitos de nós vivemos no mundo dos negócios, especialmente no empreendedorismo.
Quantos projetos começamos apenas com a “cara e a coragem”, confiando que a sorte ou a empolgação inicial nos levariam ao sucesso? O empreendedorismo por impulso, desprovido de estratégia e planejamento, é o atalho mais rápido para a exaustão.
A falha do “Só ir”: Sem um mapa claro (plano de negócios), sem equipamento adequado (habilidades e recursos) e sem conhecer o terreno (mercado), estamos à mercê da sorte ou da “amiga” que nos abandona no primeiro obstáculo.
A força da resiliência (com estratégia): O rapaz resistiu, e isso é louvável. Mas nos negócios, não queremos apenas sobreviver; queremos prosperar. A verdadeira resiliência nasce de um planejamento sólido, da capacidade de antecipar riscos e da construção de um caminho sustentável, não de um “milagre”.
2. A Psicologia do Consumidor e o “Efeito Manada”
Por que ele foi? Provavelmente pelo que a psicologia chama de Prova Social. Se a amiga (a “especialista”) disse que era fácil, ele acreditou.
No marketing, o consumidor muitas vezes compra uma solução complexa porque um influenciador disse que era simples. Quando o problema real aparece, o “guia” desaparece e o cliente fica sozinho com um contrato de 12 meses na mão. Como líderes, nossa responsabilidade é não vender “escaladas impossíveis” para quem ainda está aprendendo a caminhar.
3. Resistência vs. Resiliência
Aqui entra a parte brilhante: o rapaz se salvou. Ele teve resistência (capacidade física de suportar o estresse). Mas nos negócios, precisamos de resiliência (capacidade de adaptar-se e retornar ao estado original após a crise).
- Resistência é queimar o caixa pessoal para manter a empresa viva por mais um mês.
- Resiliência é ter um plano de contingência que impeça o caixa de zerar.
O rapaz sobreviveu, mas o trauma e o risco de vida foram desnecessários. No CNPJ, “sobreviver por milagre” não é um modelo de negócio sustentável. É apenas sorte mascarada de esforço.
Lições para levar para a reunião de segunda-feira:
- Escolha bem seus sócios (e seus amigos de trilha): Se a pessoa que te convida para o projeto é a primeira a te abandonar na subida, o erro não foi da montanha, foi da parceria.
- Planejamento não mata a aventura: Ter um mapa, um rádio e água não torna a escalada menos épica; torna ela profissional.
- Vontade não substitui competência: O mercado, assim como a natureza, é amoral. Ele não se importa com as suas boas intenções, apenas com a sua capacidade de execução.
Seu negócio está equipado para a jornada? Você tem um mapa estratégico ou está apenas “seguindo a vibe”?
É hora de transformar o instinto de sobrevivência em estratégia de crescimento. Porque no mercado, assim como na montanha, a natureza é impiedosa com os despreparados.
E você? Já começou um projeto contando apenas com a “vibe” e teve que lutar para não se perder na trilha do mercado.
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